A quimera

A quimera
Minha última quimera!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Quando Eu Te Encontrar - Biquini Cavadão


Eu já sei o que meus olhos vão querer
Quando eu te encontrar
Impedidos de te ver
Vão querer chorar
Um riso incontido
Perdido em algum lugar
Felicidade que transborda
Parece não querer parar
Não quer parar
Não vai parar
Eu já sei o que meus lábios vão querer
Quando eu te encontrar
Molhados de prazer
Vão querer beijar
E o que na vida não se cansa
De se apresentar
Por ser lugar comum
Deixamos de extravazar, de demonstrar
Nunca me disseram o que devo fazer
Quando a saudade acorda
A beleza que faz sofrer
Nunca me disseram como devo proceder
Chorar, beijar, te abraçar, é isso que quero fazer
É isso que quero dizer
Eu já sei o que meus braços vão querer
Quando eu te encontrar
Na forma de um "C"
Vão te abraçar
Um abraço apertado
Pra você não escapar
Se você foge me faz crer
Que o mundo pode acabar, vai acabar

Quando Eu Te Encontrar



Eu já sei o que meus olhos vão querer
Quando eu te encontrar
Impedidos de te ver
Vão querer chorar
Um riso incontido
Perdido em algum lugar
Felicidade que transborda
Parece não querer parar
Não quer parar
Não vai parar
Eu já sei o que meus lábios vão querer
Quando eu te encontrar
Molhados de prazer
Vão querer beijar
E o que na vida não se cansa
De se apresentar
Por ser lugar comum
Deixamos de extravazar, de demonstrar
Nunca me disseram o que devo fazer
Quando a saudade acorda
A beleza que faz sofrer
Nunca me disseram como devo proceder
Chorar, beijar, te abraçar, é isso que quero fazer
É isso que quero dizer
Eu já sei o que meus braços vão querer
Quando eu te encontrar
Na forma de um "C"
Vão te abraçar
Um abraço apertado
Pra você não escapar
Se você foge me faz crer
Que o mundo pode acabar, vai acabar



 (Biquini Cavadão)


http://www.youtube.com/watch?v=AEz3vssqw_E

domingo, 26 de junho de 2011

O GATO


Vem cá, meu gato, aqui no meu regaço;
Guarda essas garras devagar,
E nos teus belos olhos de ágata e aço
Deixa-me aos poucos mergulhar.


Quando meus dedos cobrem de carícias
Tua cabeça e dócil torso,
E minha mão se embriaga nas delícias
De afagar-te o elétrico dorso,


Em sonho a vejo. Seu olhar, profundo
Como o teu, amável felino,
Qual dardo dilacera e fere fundo,


E, dos pés a cabeça, um fino
Ar sutil, um perfume que envenena
Envolve-lhe a carne morena.


(CHARLES BAUDELAIRE)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Symfonia - In Paradisum

 BAIXE E OUÇA:   http://www.4shared.com/audio/wue2BptV/Symfonia_-_In_Paradisum.html
Gostaria de te amar ouvindo esta canção... 9 minutos e 36 segundos flutuando em outro mundo... dê-me a mão e partiremos...
" In paradisum deducant te angeli, et haberem requiem"
Angels are calling,
They're singing my name
I've been caught in the meadow
And hung in the air
When the last stars are falling,
I'll sleep far away
Let them carry me over
To heaven
Warriors are flying to Paradise
Ten thousand beacons standing in line
Preaching salvation, the future comes
No more infection, the world as one!
Strive and stand - clean the land
Obbey the call - redeem us all
Time, how precious is time
When life goes by
Time, how needless is time
In Paradise
Out in the night
By the moonlight, I'll miss you
Somewhere above, I'll be watching below
Turning all hate to purity
Providing peace and tranquility
Making your dreams alive
Bringing love to your heart...
Spread your wings and fly
Join me up in the sky
Angels lead us on
Through the wilderness of fate
Time, how precious is time
When life goes by
Time, how needless is time
In Paradise
Time, how needless is time...

terça-feira, 7 de junho de 2011

[...]

Ao som do Elliott Smith, e pequenas nuvens nos olhos [...], a batida no violão se compara com a do coração - amorfo - pensando em escrever um poema que não acople em nada a seu respeito, e nada que respira por fotossíntese lhe dá atenção, a não ser uma frase de resposta de um velho sábio e sem tempo pra ela, - no que ela achava que seria o começo de uma discussão sobre  a maneira de dizer certas coisas e quem as diriam... vai mofar por mais tempo, ou tomar remédio pra dormir e pedir pros anjos do sono que fizessem com que ela acordasse mais cedo no outro dia, não que ela tenha mudado de ideia quanto a sua preferência em "dormir mais do que permanecer acordada", mas isso não impede de que ela mofe, engraçado (e nada cômico) como ela sabe do que é predestinada, será que todos que sabem disso lutam contra? pode ser que eles acham que sabem o que de fato é verdade, mas no seu intimo ignoram seu destino mofo e vão, igual a mariposas loucas atrás de uma lâmpada... a inspiração cai, ela tarda, e vai perdendo isso.... agora é questão de tempo, ta acabando... poxa... é foda!!!

Muito simples.... mãos geladas por causa do tempo, e a certeza de que em pouco tempo tudo se perde, de novo...ela tem de entender o que eu arrisco aqui em dizer: o problema é com você minha cara, se você calcula tudo, e se a conta não for exata? ela emenda o que seria o final e fica disposto no meio, tem palavras que eu gosto, mas mudo de ideia, por que nada é suficiente, ai quem me ouve acha que é tudo...putz... ela vai dizer que foi péssima ideia minha dizer isso, que conselhos não se dão, por que sempre precisamos mais deles do que os outros - o inferno são os outros - é, ela tem que aprender ser maliciosa com as pessoas que ela julga tão estúpidas... tanto que ela adora os loucos e bêbados, mas não os bêbados estúpidos, esses elas não tem paciência, ela gosta dos bêbados loucos, ela se identifica, e bebe sempre com eles, ou com sua melhor companhia... ela mesma, bêbada e louca de tanto lucidez desvairada... ainda está ouvindo  Elliott Smith (Say yes), e nada aconteceu ainda, só a parte de perder o que tava quase começando...e as nuvens nos olhos pesam e as batidas do violão...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sentimento Súbito (Lucila Nogueira)



Porque você nada sabe da insônia
não venha assim desavisado com esse universo de frases protocolares
e toda uma higiene pasteurizada de ternura
cuidado e não se aproxime demais
existe uma parte de mim onde ninguém chegou ainda
e o desespero sempre faz com que a gente precise acreditar em tudo
estou ficando cada vez mais com medo desse sentimento súbito

a água que lavou as letras da biblioteca
é um sinal de que o amor e a palavra exigem renovação
que tanto estudo não resolve o desamparo
e que continua desabitada a casa que sou

finjo-me autobiográfica e renasço como personagem
espasmo de eletrochoque eu sirvo o meu senhor
ducha de eletricidade eu sirvo o meu senhor
e basta o seu tom de voz ser um pouco menos terno
que eu já sinto dor

como quem escolhe uma salada de rúcula
em um cardápio de veludo escuro
você está sentado numa poltrona de aço
que já começa a ser engolida
pelo mar vulcânico da minha loucura

não sei porque tudo vinha tão vagarosamente de modo calmo
e de repente foi aquele estalo aquele sobressalto
e você não entendeu nos intervalos de linguagem
o meu jeito pelo avesso de cantar um blue

você não entendeu nada
você não percebeu que eu sou um fósforo apagado
esquecido na fuligem com memória do passado
que a vida cai pesadamente em meu cabelo azulado
e para a tela grande perder o colorido basta uma pilha se gastar

por isso eu chego a ti numa bolha de sabão gigante
soprada no canudo de mamoeiro do quintal da infância
onde aprendi a noite o sol os cristais coloridos e as músicas ciganas
daí que basta você me tocar e eu retorno à vida
quebra-se o encanto e o feitiço
e saio para a realidade carne que se desprende das páginas do livro

escrevo sobre a vida como um exorcismo
não tenho remorso do que vivo
o meu poema é o sinônimo da minha pele exposta
na implosão do muro de Berlim dos sentimentos físicos

sinal vermelho
rostos vazios
caminhei coberta de sargaços na avenida
como um insignificante alfinete atraído por um imã
e perdi o sono perambulando nos telhados
á procura das palavras mais precisas
quando finalmente descobri que o que importa mesmo sempre está implícito

e agora
eu só quero que você ouça minha voz subterrânea
ecoando muito além de toda superfície
mesmo que em mim nada esteja a salvo
quero que observe com perplexidade como eu tenho estilo
e a melancolia dos meus olhos claros
atravessa nervosamente o cosmos como um neutrino
argila submarina de abalos sísmicos na manhã de uma rua vazia de domingo

hoje falta-me companhia para sair e beber um vinho
nada acontece e eu não sei como faço para manter-me viva
nada acontece e eu fico inerte sem regresso nem partida
devo mudar uma vida que já não me serve
mas ando muito cansada de ser sempre eu a tomar todas as iniciativas

você não entendeu nada
e eu estava dizendo apenas na verdade
que subitamente eu fui ficando perturbada
você me lê somente para encontrar suas palavras
mas eu venho de uma raça de saltimbancos e acrobatas
e brilham relâmpagos da tempestade nos meus gestos delicados

o meu corpo flutua como sílabas de imagens congeladas
e nessa opressão desarticulada decido desesperadamente ficar calada
mas não esqueço o convite para ver as estrelas num deserto do Marrocos
nem a minha estranha fuga automática daquele mundo cor-de-rosa entre penhascos
para voltar aqui e ficar sempre à espera do destino e do a acaso
sentinela do nada

e a vida passa como as nuvens na janela
da próxima vez eu vou ter mais cuidado
porque das outras sei que estraguei tudo
só por ter medo de encarar a realidade

eu vou telefonar
depois a gente se fala
agora eu não posso acordar
entenda que eu carrego a saudade das aves migratórias
que sobrevoam os alpinistas do círculo polar

porque você nada sabe da insônia
e existe uma parte de mim onde ninguém chegou ainda
e o desespero sempre faz com que a gente precise acreditar e em tudo
estou ficando cada vez mais com medo desse sentimento súbito



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